Seleção Natural e Internet
Foto: BigBear3001
Toda a vez que ouço alguém aplicar a idéia da seleção natural criada por Charles Darwin e divulgada em seu livro “A Origem das Espécies”, eu percebo que essa pessoa não entendeu o que é esse conceito.
O argumento aplicado na internet é sempre o mesmo: Deixar a seleção natural cuidar das coisas, pois daí os melhores sempre se sobressairão.
Não há ideia mais errônea que essa. Ainda mais quando usada nos blogs monetizados.
Para começar, a seleção natural NÃO SE REFERE à escolha dos melhores, porque melhor e pior são classificações culturais humanas. E se pensarmos principalmente na multiplicidade das pessoas que estão na rede, essa classificação fica ainda mais confusa. Melhor e pior em relação a quê?
O que a seleção natural diz é que se uma determinada característica for favorecida pelo ambiente, ela será mais transmitida às gerações seguintes.
Se olharmos para a internet com o viés da monetização, é possível perceber que cada vez mais teremos blogs e sites monetizados pois, por enquanto, ainda que com a crise econômica, essa característica é favorecida, mesmo que o conteúdo do blog ou site esteja visando apenas o paraquedista-clicador-maluco.
Isso só começará a mudar quando o ambiente mudar e favorecer outro tipo de característica. E quem é que tem esse poder de alterar o ambiente dos blogs e sites monetizados? Os anunciantes, é claro! Mas enquanto eles considerarem que o jogo está a seu favor, pouco desse quadro mudará. Do meu ponto de vista, creio que ainda faltam elementos para eles decidirem se o jogo está realmente a favor. E sendo a internet um campo de ação relativamente novo, a maioria considera que é melhor errar aí, ao invés de não fazer nada e só depois perceber que se perdeu terreno. Penso que enquanto existir esse espírito, haverá terreno para qualquer um monetizar o seu conteúdo, seja ele qual for.
Entretanto, você poderá argumentar que os leitores dos blogs e sites é que acabarão sofrendo pela falta de conteúdo e deixarão de lê-los. Mas neste caso, tratamos de um outro ambiente chamado SEO e Engenharia Social. E aqui, novamente, quem estiver mais adaptado a esse ambiente é o que irá durar por mais tempo. E isso tem pouco que ver com o ser melhor ou pior. E de novo pergunto: Melhor ou pior para quem? Ora, se não se tem leitores fiéis, basta aprender como trazer novos leitores. Lembram-se do Notícias Populares?
O que podemos perceber em ambos os casos que citei, é que ter um conteúdo bem adaptado às regras do mercado e da monetização, é pouco relacionado com o melhor (?!) conteúdo ou conteúdo informativo, informativo aqui no sentido de que se provê a informação que o leitor procura. Extrapolando um pouco mais, pode-se dizer ainda que ter o melhor (?!) conteúdo NÃO é garantia de que você será visto e lido. E se deixar por conta da dita seleção natural que muitos falam por aí, certamente não terá muitas chances de se sobressair.
Enfim, sem saber os limites de sua aplicação, como em toda teoria, o que resulta de metáforas são palavras vazias.
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Isso é verdade, a seleção natural é tratada muito como uma força consciente do que um processo. O que acontece, então, na Internet? Sobrevivem não necessariamente os produtores de conteúdo e demais indivíduos que condizem com uma idéia geral de “qualidade”, mas sim aqueles que efetivamente conseguem atingir o público. E quando se leva em conta o grande público, não se pode esperar muito…
Bruno,
como dizem, ser popular não significa necessariamente que se tem um produto de qualidade. Ainda mais quando o público é heterogêneo.
Agora, certamente os conteúdos resultantes de copia e cola, não passam em nenhum lugar como de “qualidade”, e isso é o que tem mais proliferado pela rede…
abraço
Os anunciantes cada vez mais olham para o tráfego, e apenas o tráfego. Vai colocar na cabeça de um cara que ele pode vender mais panela, por exemplo, anunciando em um blog de cozinha do que no “quibe louco”, por exemplo.
Quando esse anúncio não rende o que ele esperava, a culpa é dos blogs.
O sujeito pensa que vai vender mais anunciando para milhares atrás de mulher pelada, que ficam 30 segundos no site, se tanto, do que em outro com leitores fiéis.
Haverá tempo de reverter isso, seja qual for o tipo de conteúdo? Duvido muito, agências e anunciantes não primam pela inteligência, visto o número de falências que acontecem diariamente nesse país.
Noronha,
é por isso que disse que eu creio que a maioria os anunciantes não tem a mínima idéia do que estão fazendo na internet. E também falta alguma métrica que mostre o retorno do investimento. Bem, pelo menos não conheço nenhuma…
abraço