Eu ainda não li o livro do Andrew Keen – The Cult of the Amateur: How Today’s Internet Is Killing Our Culture (Culto ao amadorismo: Como a internet de hoje está matando nossa cultura) – mas li a reportagem que saiu na Folha no dia 30/07/2007 e na Unisinos (não vou linkar por motivos óbvios, mas é só procurar no Google com os termos “ataque blogosfera keen” que você os encontra). E não vi ataque algum à blogosfera como o título deles propõe. O que percebi é que mídia tradicional quer puxar a sardinha para mais perto de sua brasa e provocar algum buzz na blogosfera. E estão conseguindo.

Pelo que entendi, a crítica de Keen foi direcionada para a internet como um todo e para o modelo web 2.0 que é baseado na interatividade e na criação de conteúdo pelos próprios usuários.

Ora, mas é disto que os próprios blogueiros vivem reclamando. Volta e meia tem alguém dizendo que não há pessoas inteligentes o suficiente para preencher sua caixa de comentários, que os comentários são miguxos, que muitos são salsinhas – muito bom como tempero, mas não servem como prato principal. Só para exemplificar, um dos sites web 2.0 que mais deu certo no Brasil foi o Orkut. E quantas vezes você já ouviu ou leu alguém da blogosfera desdenhando dele?

Em contraposição, na mesma reportagem da Folha, o David Weinberger – um dos antagonisas de Keen – nos diz que


Uma das coisas mais importantes na internet atual é o surgimento dos filtros sociais: em vez de acreditar apenas em especialistas, estamos confiando em nossos amigos e pessoas de gostos semelhantes para escolher o que pode ser de interesse. …

Eu entendo que a opinião de um leigo sobre determinado assunto nunca é superior que a informação dada por um especialista. TALVEZ a crítica de Keen esteja aí, pois 10.000 mil opiniões de usuários leigos não sobrepõem a informação de um único especialista. O conhecimento não é democrático: ou você tem ou não tem. E opinião alguma te fará expert em algo. Tomando este cuidado, sim, estamos confiando mais em nossos amigos e pessoas de gostos semelhantes, mas isto é melhor? Para quem?

Finalizando, nem tudo é o que dizem ser. Creio que os assuntos relativos à blogosfera devam ser lidos com uma postura menos defensiva. Afinal de contas, o mundo não gira em torno do nosso umbigo.


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