Mentiras Sinceras Não Me Interessam
Ontem eu recebi a notícia de que a professora do meu filho havia sido desligada da escola. Ainda que não ache natural essa relação patrão vs empregado na educação¹, não era totalmente inesperado que isto pudesse acontecer em uma escola da rede privada.
A Blogada no Trombone vai para o modo como foi feito. As crianças não puderam sequer se despedir da professora. E pior ainda, disseram a elas que a professora estava doente, mas não falaram que ela não iria mais dar aulas para eles.
Que tipo de educação é essa?
Mentiras para “salvaguardar” o sentimento das crianças? Que paternalismo mais imbecil! Ainda mais de quem supostamente deveria entender que a educação se dá por exemplos. De nada adianta dizer que mentir é feio, se na primeira situação difícil mente-se para, com o perdão da palavra, tirar o loló da reta. É isso mesmo. Não quiseram falar a verdade porque não quiseram lidar com a situação – como em qualquer mentira. Imagine só, 10 crianças chorando porque não tiveram nem a oportunidade de se despedir da professora.
Enfim, sempre acho melhor algumas lágrimas de tristeza que aquela sensação de ter sido enganado por quem você mais confiava.
—oOo—
¹ A relação patrão vs empregado na educação chega a ser estranha, pois na maioria das vezes vale a máxima: O aluno querendo pagar, a escola querendo receber e o professor no meio desta equação atrapalhando tudo.
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Realmente, a relação é patrão vs empregado é complicado.
Afinal em certos momentos parece que o aluno é o patrão, mas o professor é quem manda. Então quem manda o patrão ou o empregado? Enrrolado não é?
Quem quizer encarar esta profissão deve estar pronto para desaforos. Ouvi um ontem e engoli.
As vezes a gente se esforça muito para um aluno crescer, quando o próprio, não está nem um pouco preocupado com isso. Nestes casos, vale a pena tentar educá-lo?
Minha opinião: não perco o tempo com quem não quer meu tempo. Para os que querem diplomas: Se vira… dá seus pulos.
Prof. Luís,
a pergunta que faço é: vale mentir para educar alguém?
Eu não acho que seja nem o aluno, nem o professor que mandam. É mais uma parceria. Uma relação ganha-ganha.
Sei que isto é difícil de se atingir, mas é possível.
abraço
A propósito, você é professor de qual disciplina?
Respondendo ao Norberto,
Pra um professor não vale mentir para educar ninguém em situação nenhuma. Esta é minha opinião.
Mas como disse a situação empregatícias em algumas situações nos deixam em situações bem complicadas, onde os nossos valores entram em cheque.
Sou professor de várias matérias técnicas de Informática na Etep Faculdades de São José dos Campos. (programação para internet, java, delphi, etc)
Prof. Luís,
abrir mão de valores que nos são caros nos fazem pensar se estamos realmente no caminho certo.
Sei que nem tudo é preto no branco, e que em tudo há uma gradação de cinza, mas existem coisas que podem sempre ser vistas pelo lado humano. Ainda mais quando se trata de crianças.
Uma escola que visa apenas o lucro, é medíocre. Tudo é bonito no papel, mas na ação é que vemos como as coisas são. E se eu posso escolher quais valores quero passar pro meu filho, então tenho que pensar se vale a pena mantê-la naquela escola.
Do ponto de vista do professor, se não há respeito nesta relação com o empregador, que tipo de mensagem você passará para os seus alunos? Vale a pena?
Concordo contigo.
Mas sempre que fiquei sobre pressão e tendo que avaliar os valores, quem estava me apertando não eram os empregadores, mas os alunos.
Complicado e triste.
Comentário confuso o meu acima não é? Acho que fiquei engasgado e falei muita besteira… rsrsrs Desculpe aí.
Poxa, onde é que vamos parar se não paramos de mentir pras nossas crianças a todo o momento? Não só os mitos infantis(acho que esses não carregam a mesma carga promblemática, são, conforme dito, mitos), mas cada mentira que contamos “para protegê-los” os colocam mais perto de uma dependência quase patológica de conforto.
Tenho que desenvolver o assunto melhor e escrever um post. Vou fazer isto..
Bruno,
os contos de fadas infantis tem outra conotação e devem ser lidos sim para as crianças, para que eles processem situações conflitantes em suas cabeças.
Se quiser saber mais sobre o assunto leia “Psicanálise dos Contos de Fadas” do Bruno Bettelheim. A minha esposa devorou o livro e me destacou várias partes interessantes…
abraço
Gosto dos contos de fadas, eles tratam temas da vida de maneira tão subliminar e simbólica que já nem se sabe direito o que significam, mas está tudo lá. Já ouvi falar do “Psicanálise dos Contos de Fadas”, fica na lista “ler algum dia, se aparecer na frente”.
O problema é realmente quando se mente porque acha-se que a criança não vai entender, ou porque ela “não precisa suportar isso”. Como o caso da professora. Ou quando o cachorro morre.
Reiterando:
- Mitos indantis/contos de fada/whatever: OK.
- Mentiras “para proteger”: não.
PS.: Tenho sérios problemas de redação(mais influentemente, preguiça patológica de reescrita e revisão), acho que a contradição no comentário original ficou meio evidente.
Norberto!
Lembrou-me a música do Roberto Carlos: Meu pai um dia me falou, prá que eu nunca mentisse/Mas se esqueceu de dizer a verdade/Da realidade do mundo que eu ia saber/Dos traumas que a gente só sente/depois de crescer…
É complicado (trabalhoso) contar verdades para crianças. Mas acho que a mentira, é mais perniciosa.
Contar uma verdade, ela pode ser aguda. Mas mentiras, tornam-se crônicas.
Mas isso, tratar crianças como idiotas, é um agregado cultural que dificilmente conseguiremos no livrar por ser de raiz judaico-cristã.
Pobres que fomos nós, pobres de nossas crianças de hoje, e não sei até quando, pobre de nossas futuras crianças.
Sérgio,
eu vejo muito deste tratamento idiota. Às vezes se critica a criança para outros e na presença dela, como se ela fosse invisível e não estivesse ali escutando tudo.
Ou então as tratam como se ela não fosse um indivíduo com vontades próprias e com caminhos a escolher.
São escolhas simples, mas que ela deveria ter essa liberdade e responsabilidade em seu micro-universo.
Norberto,
Já passei pela mesmíssima situação e achei engraçado você comentar, pois a desculpa que deram para as crianças foi justamente essa. A professora havia ficado doente e tirou licença. Não deram direito da molecada se despedir e ainda mentiram para eles. Isso já praticamente no final do ano letivo.
Eu questionei a diretora do colégio sobre a mentira e em dado momento ela até considerou ter feito uma escolha ruim, mas não voltou atrás por achar que seria pior desmentir. Pra eles, né? Eu não deixei barato, pelo menos a MINHA criança soube da verdade.
Abraço
Manoel,
creio que isto aconteça quase no final do ano letivo porque o sindicato dá a data limite de 30 de novembro para demitir um professor da escola. Caso contrário, ele deve permanecer o próximo ano letivo todo.
Estamos pensando em fazer uma reunião extra-escola para dar a possibilidade às crianças de dizerem tchau. Vai ser triste, mas vai ser mais sincero e uma conclusão de era na cabeça delas. E principalmente não gerará uma decepção com a imagem daquele professor (e tudo aquilo que ele ensinou) que foi embora e não se despediu.
abraço
Norberto, não tem filho nem quero ter tão cedo, namorar no momento e so! Mas quanto ao fato, é algo que está acontece com muito mais frequencia nos dias de hoje o mundo está cada vez mais covarde e dormente, e a educação precaria como se sabe, pior de tudo é não poder fazer nada!
abraço meu camarada.
Situação ridícula, apesar de bem colocada a situação em que o professor se encontra neste tiroteio, não creio que a relação empregatícia venha a interferir.
Ridícula a situação da mentira, para evitar dizer que demitiram a professora ciram um ambiente de preocupação, pois dizer que adoeceu e não dara mais aula, pois para bandonar uma sala de aula, simples gripe não é.
Guilherme,
já conversamos com a professora pelo telefone e ela não está doente, não. Segundo a escola, foram as crianças que “inventaram” que ela tinha ficado doente.
Nesta confusão, o saldo é que a escola caiu muito em meu conceito. Tá faltando coerência… pregam alguns valores, mas quando é prá valer, não pensam em aplicá-los.
abraço
É criança “adora” inventar esse tipo de coisa.
Nesse caso acho que juntar alguns pais e exigir retratação da escola resolveria, já coisas piores, um primo meu chegou rocho da escola, disseram que ele caiu do berço, o que já seria ruim, depois descobriu-se que havia um garoto que batia nas outras crianças.
isso é ruim não só na parte da “não despedida” mas também na adaptação das crianças, incluindo seu filho, com a nova professora, ainda mais em fim de ano onde os alunos já pegaram um carinho extremamente grande com a pessoa e sentem nela uma responsabilidade quase que igualada a dos pais. E sinceridade que não concordo com atitudes como essa, mesmo ponto de vista defendido por você.
abraços!
Juliano,
o problema principal é que se as crianças tiverem aquele sentimento de decepção para com a professora, tudo o que ela ensinou vai por água abaixo.
Já estamos pensando em reunir com ela mesmo sem a participação da escola. Meu filho ficará feliz com o reencontro e terão uma conversa entre eles… Assim é muito mais civilizado.
abraço
Não tive tempo de ler todos os comentários, desculpas se estou sendo redundante.
A relação escola paga-professor é simples. Aprova o máximo possível (de preferência todos) de alunos e dá razão para todo e qualquer pai, esteja ele certo ou errado. Caso contrário, rua.
Ah, a prática de mentir ou não dar satisfações a alunos é comum na escola pública também.
Noronha,
é isso mesmo. Como disse: a escola quer receber $$, o aluno quer pagar $$ e o professor fica no meio atrapalhando a parada.
Seja pública ou privada, o fato é que a educação vai de mal a pior…
abraço
Opa Norberto e todos!
A educação vai mal no público e no privado, mas no público ainda há mais autonomia pedagógica, ao menos quando se compara com o privado!
O fato das escolas ainda se organizarem por tempos de aula (organização fordista) dá uma idéia de quão atrasada está a escola (no mundo todo!) mas por aqui soma-se os baixos salários, má formação, etc…etc… etc..
Mas há luz no fim do túnel! Ainda que o túnel seja muito longo
Sérgio,
Tem toda a razão, trabalhei em ambos os sistemas e na pública, em certos casos, a qualidade de ensino é superior à privada, principalmente por causa da autonomia. Aqui no RS há várias escolas públicas de qualidade muito superior às privadas.
[...] Educação: Relembrando :Florbela Espanca – Quem tecla Ticket é cultura – A vida como a vida quer Mentiras Sinceras Não Me Interessam – Escrita Torta em Linha Reta Jackson Pollock – Lú Moura “Arte em Fragmentos” – [...]
Caro Norberto,
Muito bom este seu testemunho. Estamos criando um mundo de “ilusões”. Na verdade sempre existiram fatos com este propósito, mas o problema que eu vejo é que isto está se tornando a “conduta padrão”.
Abraços!
Márcio,
essa conduta é que não consigo entender… Educação sempre se dá por exemplos… se nem a escola – pública ou privada – não consegue enxergar isto, então estamos muito mal mesmo…
abraço
Agente é enganado todo dia, uma mentira a mais ou a menos, não faz a menor diferença. Sociedade já era. vocês não notaram? Estão defendendo algo que está decadente.
Espíritos Livres,
não é questão de defender ou não. É questão de se exigir o que se encaixa em nossos valores pessoais.
abraço