Life on Mars e os anos 70
A série Life on Mars retrata a vida de um policial que depois de um acidente em 2009 se vê em 1973. A trama é interessante pois não há respostas imediatas para a situação em que ele se encontra e, principalmente, pelo contraste cultural das situações cotidianas. Por exemplo, como você imaginaria uma vida sem PC’s, sem internet, sem mp3, sem celular e etc?
Assistindo esse seriado, acabei lembrando de algumas coisas dos anos 70:
Na aula de geografia da 6ª série, a professora tinha pedido para fazermos um mapa da Alemanha e como muitos devem se lembrar, naquela época ela era dividida em 2: oriental – socialista – e ocidental – capitalista. Lembro-me de ter usado um atlas geográfico que ainda não havia sofrido censura e apresentava diversas cidades da Alemanha Oriental com os nomes dados pelo regime político daquele país. Uma dessas cidades era a Karl Marx Stadt – originalmente batizada como Chemnitz – que incluí no meu trabalho.
Alguns dias depois de ter entregado esse mapa à professora, lembro-me que eu havia sido o único que tinha tirado a nota máxima e na hora da devolução ela começou a fazer um discurso sobre como deveria ser uma pesquisa de mapas, elogiando o meu trabalho e blá-blá-blá que eu não entendi patavinas na época. No alto dos meus 11 anos, eu só pensei: “O que foi que eu fiz? Só copiei um mapa de um atlas. Que tem demais nisso?“. Nem preciso lembrar do que se tratava o blá-blá-blá… Hoje, fico imaginando se a professora sobreviveu à ditadura…
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Hoje em dia é muito fácil ouvir uma rádio de outro país. Basta procurar no Google que centenas aparecerão de onde podemos ouvir seu streaming…
Mas nos anos 70, o que eu gostava de fazer era ficar caçando estações de rádio no aparelho Transglobe Philco. Lembro-me de ficar horas à noite ouvindo estações na faixa de ondas curtas e de idiomas que eu nem sequer sabia quais eram, só pela curiosidade de saber que tipo de música ouviam.
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Os aparelhos que vou citar aqui, certamente muita gente nem sequer ouviu falar, quanto mais manusear… Alguém se lembra dos LPs de Vinil e seus Toca-Discos? E da fita K7 e Toca-Fitas?
Eu lembro que numa das minhas aulas de inglês a professora queria passar uma canção para que pudéssemos exercitar o ouvido ao idioma, fazendo o exercício de ir escrevendo a letra conforme ouvíamos a canção. Se fosse hoje, esse exercício estaria fadado ao insucesso. Basta pesquisar na internet que qualquer letra de música está ao alcance de poucos cliques. Mas naquela época, mesmo a canção Sunshine on my Shoulders (1971) sendo um hit, pouca gente tinha acesso a letra.
Mas como fazer para passar um LP para uma fita K7? Essa convergência tecnológica ainda não era popular no Brasil.
A minha solução foi a seguinte: Usei uma vitrola – VITROLA! – portátil da Sonata e apontei a sua única caixa acústica em direção do microfone do gravador de fita k7. Coloquei minhas mãos meio que em forma de concha para concentrar um pouco mais a potência sonora – que deveria ser de uns 10watts. E o resultado foi excepcional, dada as condições. Mas o difícil mesmo, foi conseguir uns 5 minutos de silêncio no ambiente para gravar a música.
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Depois que o meu avô nos trouxe do Japão um rádio-gravador Sanyo, eu tive a oportunidade de ouvir uma estação de rádio FM que estava recém inaugurada. Era a Rádio Difusora de São Paulo e a canção que ouvi era o Sultans of Swing do Dire Straits. Custei a conseguir gravar essa canção sem aquelas interrupções dos locutores e fade-outs antes da música terminar. Aliás, isso é uma coisa que considero chato até hoje. Me dá uma sensação de perda. Se eu quero ouvir uma música, quero ouvi-la inteira.
Essa convergência iniciou uma era: a da caça às músicas completas nas diversas rádios FM que foram surgindo.
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Alguém aí já datilografou algum trabalho para a escola? Heim?!
Datilografar era transcrever um texto com uma máquina de escrever. Nós tínhamos uma Olivetti Lettera portátil. Dá para perceber que o próprio processo de criação de um texto era diferente naqueles dias. Primeiro tinhamos que escrever um rascunho no papel. Somente depois desse rascunho estar completo e corrigido é que pegávamos a máquina e passavamos o texto para o formato datilografado. A coisa mais chata que tinha, era saber se no final da linha certa palavra caberia ou não. Nessa máquina, havia um recurso para tentar ajudar o datilógrafo: quando faltavam 10 toques para o final da linha, soava um sino. Era um saco ficar descobrindo quantas letras eu ainda tinha para escrever e se determinadas palavras caberiam nela. Em toda a linha, o ritmo da transcrição era interrompido.
Isso sem falar nos erros de transcrição… Corretivo líquido? Ninguém merece… mas naquela época era o que existia de mais moderno. Aff…
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Dia desses estava assistindo à 5ª temporada de Lost e pensando algo parecido: se eu voltasse a viver nos anos 70, precisaria de um emprego de verdade, hehe…
Noronha,
um emprego para juntar uma grana, o máximo possível, para no início dos anos 80 comprar ações da Microsoft… hehehe
abraço
Eu me lembro de um rádio parecido, feito de madeira, com dois botôes grandes, desses dois botões havia uma pequena extensão, como o bico do peito. Na minha idade, na época, era uma viagem.
O bico do peito, digo, o botão pequeno, o miolo do botão grande, ligava o rádio, enquanto o botão grande aumentava o volume, ao lado direito um outro botão grande mudava as estações enquanto o miolo, mudava as ondas, curtas, médias, etc;
Este rádio foi ganhado pelo meu pai em seu casamento em 1946, a madeira parecia aço puro, com a vantagem de não enferrujar, as peças eram similares as peças usadas por rádios do exército, aí da para imaginar as rádios que pegavam.
Ouvia toda as rádios paraguaias, uuguaias e argentinas, era o único poliglota da minha classe, evidentemente que eu não era fluente, mas nem a professora era.
Bons tempos.