Eu fiquei uma semana em Buenos Aires e devo admitir que muitos dos preconceitos contra os porteños se desfizeram. Preconceitos esses que me foram incutidas mais pela rixa futebolística entre as seleções destes países.

E conhecendo e vivenciando um pouco de sua cultura, dá para começar a entender porque essa rixa existe. E ao contrário do Brasil, esse orgulho para com o próprio país não se restringe apenas ao futebol. Na quarta-feira passada – dia 16 de julho – dia da votação no senado acerca do aumento de impostos sobre as exportações de grãos, os porteños organizaram um “cacerolazo” na Plaza de la República, onde fica o Obelisco – cruzamento das avenidas Corrientes e 9 de Julho – ao qual, por coincidência, tive o prazer de presenciar.

Panelaço na Plaza de la República

Na volta desse passeio, uma senhora começou a conversar conosco e depois de descobrir que éramos brasileiros, felicitou-nos dizendo que essa confusão raramente acontecia no Brasil, e que nós acabamos fazendo piada até das piores desgraças. E continuou dizendo que às vezes era melhor rir que ficar reclamando de tudo…

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E nessa semana que fiquei por lá, percebi que a quantidade de livrarias que existe por lá é grande! Só na Avenida Corrientes deve ter umas 20 e muitas outras nas suas transversais. Como comparação, é como se na avenida Paulista tivessem mais de uma dezena de Livrarias Cultura. Não é à toa que o argentino é o povo de língua espanhola que mais lê – devido a sua educação com os olhos voltados para a Europa – e isso se reflete no mercado editorial. A livraria mais imponente é a “El Ateneo” na rua Santa Fé onde o prédio era um teatro. Se você não gosta de frequentar uma livraria, pelo menos vale a pena visitar o teatro que por si só já é uma atração.

El Ateneo - Calle Santa Fe

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Pensando um pouco mais sobre o que a senhora nos disse e relacionando com a quantidade de livrarias existentes nesta cidade, creio que o porteño não poderia ser diferente de reclamão. Essa crítica lhe cabe porque é um povo que acompanha a política e que cobra ações de seus políticos. E principalmente, um povo que tem ORGULHO de suas origens, o que é facilmente notável quando você conversa com um nativo.

A rixa futebolística continua, mas o preconceito sumiu… tanto que acho que os brasileiros poderiam aprender um pouco mais com eles e descobrir quem somos e para onde queremos ir.


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