No debate que ocorreu na semana passada – em 29/08/2007 – entre o Estadão e os Blogs, ouvi algumas coisas sobre a quantidade de lixo que existe na internet. Todo mundo pareceu concordar que existe muito lixo na rede. Inclusive eu cheguei a comentar num dos posts do Contraditorium que 99% do que a civilização produz é lixo. Mas aí eu pensei um pouco mais e começo a questionar esta afirmação.

Quais critérios foram utilizados para chegar a conclusão de que existe muito lixo na internet? E na civilização?

Relevância? Qualidade? Responsabilidade? Confiabilidade? Quantidade de pessoas interessadas? Alta cultura? Cultura pop? Tempo de existência?

Quais são os critérios para decidir que algo é ou não é lixo?

Tudo parece estar subentendido e assim pensamos falar sobre as mesmas coisas quando estamos, na realidade, falando de coisas diferentes. E é daí que começam as confusões.

O prof. Schwartz da ECA-USP defendeu que falta relevância nos blogs, que ainda não atingimos a opinião pública e que está faltando receptor de qualidade. Aquele receptor que tenha senso crítico. Ele chega a desconversar dizendo que é um clichê dizer que isto dependa da educação brasileira. Como ele mesmo diz, tentando apontar a responsabilidade para outro lugar, que há pessoas que não possuem senso crítico independente do nível de escolaridade que ela tenha. Sinto muito, mas isto é sim, um problema principalmente da educação brasileira e já falei sobre isso

Voltando à questão dos critérios, parece-me que aquele que o prof. Schwartz utilizou para determinar a relevância é aplicável à pesquisa acadêmica, mas aplicá-la nos blogs aparenta falha no argumento. Ora, a pesquisa acadêmica é uma seara totalmente diferente da que os blogs fazem parte. Então é válido começarmos a aplicar o mesmo critério para tudo?

E a afirmação de que há muito lixo na blogosfera que o Edney, o Carlos Merigo e a Bruna concordaram, concordaram por quais critérios? Muito provavelmente vocês não consideram que o seus blogs façam parte da lixolândia, não é? Pô, atribuir valor ao próprio trabalho, mas desvalorizando a de terceiros não é lá uma atitude ética. E aí foi um vacilo e dos grandes…

O erro da campanha não está na generalização de que os blogs são ruins.

Quem afirma que a generalização é o erro, automaticamente está dizendo que o seu blog é de qualidade, é relevante, é a cereja do bolo, é a última coca-cola da festa. Mas e o resto? Ah! Que se danem… (vocês podem não pensar assim, mas o resultado da atitude é essa.)

O erro da campanha está na argumentação ad hominem. Desmoraliza-se o emissor da mensagem – os blogs – sem ao menos ouvir, entender, discutir, debater qual é a mensagem. E esse também foi o erro de muitos blogueiros contrariados com a campanha ao atacar o emissor dela – o Estadão.

Se vamos defender o modelo web 2.0 na geração de conteúdo, então não podemos tomar os nossos critérios pessoais e assumi-los como se fossem verdadeiros e absolutos. Se você considera que há muito lixo na internet, é um ponto de vista seu, ainda que tenham tantas pessoas dizendo o mesmo, pois o critério de cada um é diferente! O lixo de um é o must luxo de outro e vice-versa.

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Se vocês tiverem a curiosidade de saber qual é aquele caso dos elefantes na Wikipédia que o Dória falou, leiam o post Colbert Spams Wikipedia do Andrew Lih. O Dória deu a entender de que é possível influenciar informações na internet se você souber como fazê-lo. O que ele se esqueceu de dizer é que há contra-medidas para se evitar isso. Mas mesmo sabendo que elas existem, não podemos colocar o cérebro em modo “automático”…

Atualização: O Cris Dias escreveu sobre como o Wikipédia resolve seus problemas de confiabilidade.

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Para quem quiser ler mais sobre o debate (isto é, se já não estiverem saturados do assunto…):

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Se você não entendeu o título deste post, assista o curta-metragem Ilha das Flores


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