Blog Action Day
Antes de começar a colocar em pauta a questão ambiental, gostaria de dizer que há uns 6 meses atrás quando o Aquecimento Global era a notícia do momento, o Daniel Doro Ferrante do It’s Equal But It’s Different, apresentou um texto contundente sobre esse assunto (infelizmente o texto não está mais online, mas para a minha felicidade o Google Reader o guardou).
As suas referências científicas eram:
cujo resumo da posição científica do tema foi dado pelo Daniel:
Sim, é verdade, o clima está sendo alterado – se a espécie humana tem participação nessa alteração ainda é motivo de muito debate.
E ele conclui que o problema real que deve ser atacado é o desenvolvimento sustentável.
A minha contribuição a este tema é a de que as questões ambientais só serão levadas a sério quando o sistema que faz a máquina de gerar lucro for envolvido. O que isto quer dizer?
Simples: Você pagaria mais caro por um produto que é ecologicamente correto?
Eu não! Do meu ponto de vista, esse marketing verde é apenas para vender produtos mais caros, para que a pessoa que os consuma tenha um alívio em seu peso na consciência com o pensamento “Ah! Fiz a minha parte!”. Mas o fato é que gastar mais dinheiro, significa fazer a máquina de gerar lucro rodar mais rápido, o que no final das contas resulta em consumo energético maior. Quando um produto desses for mais barato, só aí é que começarei a acreditar que isso vai dar certo.
Se queremos que haja uma preocupação REAL com o meio ambiente, é necessário que a Indústria em geral tenha incutido em si a produção verde, indo para além do marketing. Principalmente porque essas ações pontuais como a reciclagem de lixo, reaproveitamento de pilhas e baterias, transformação de lixo em arte, etc, etc, etc são apenas a ação da, digamos assim, “pessoa física”. E a “pessoa jurídica”? Quando é que ela vai se mexer? Quando teremos a ecologia em escala industrial?
ATUALIZAÇÃO:
Não poderia deixar “passar batido” o ponto que eu considero nevrálgico à questão do Meio Ambiente e que o Jonny Ken Itaya disse-o bem em seu texto “Conhecimento – Arma para Salvar o Mundo“:
As pessoas vivem falando de reciclagem!! Mas a reciclagem sequer deveria existir no mundo!!! Deveriamos reduzir a produção de nosso lixo e reutilizá-lo o máximo que fosse possível!! Reciclar lixo demanda muita energia retirada da natureza!!! E isso quase ninguém sabe!
E é nesse ponto em que eu insisto: a própria Indústria deveria prover e promover essa diminuição de produção de lixo, principalmente criando produtos com essa mentalidade (pode-se começar com o fim dos produtos descartáveis…). E enquanto a máquina de gerar lucro não entrar nesse jogo, sinto muito, mas qualquer ação é paliativa ao problema. Ação esta que é só para “ficar bem na fita”.
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Bela iniciativa, pelo menos iremos refletir o que estamos fazendo para nos mesmo. O Logo do tema se analisado está muito bom além de bonito!
abraço mestre
Aluísio,
a ação é do site http://blogactionday.org/
e a blogagem coletiva era hoje!…
abraço
[...] quer O meio-ambiente de trabalho – Direito e Trabalho Blog Action Day – Meio-Ambiente – Diversos Blog Action Day – Escrita Torta em Linha [...]
Norberto: Ótimos argumentos! É realmente necessário que as pessoas jurídicas deixem de pensar nos produtos ecologicamente corretos como um diferencial competitivo, aumentando seus preços, e comecem a encará-los como uma obrigação. Enquanto isso não for verdade, não haverá realmente grandes mudanças de cenário no mundo.
Por outro lado, parece haver alguma esperança. Recentemente escrevi no meu próprio blog a respeito do Zonbu, um PC que vem com Linux instalado, e custa apenas 99 dólares… Note que o principal argumento dos desenvolvedores é que ele ajuda a poupar, em média, 10 dólares na conta de energia de seus usuários… e o custo não é alto…
Abraço!
Daniel,
esse é um dos caminhos. Outro, nesse setor seria parar de ficar exigindo upgrades de hardware e softwares a cada instante.
Isso começa principalmente com os sistemas operacionais e com eles todos os softwares que exigem hardwares de ponta.
O pessoal já se esqueceu de como as limitações podem fazer a criatividade florescer, e fazem tudo +/-, afinal de contas há poder de processamento sobrando e se não há, o usuário que se dane e faça um upgrade.
É essa mentalidade que temos que mudar.
abraço
Norberto, vc tem toda razão. Eu tbm não pagaria mais caro.
E aposto e apoio iniciativas para melhorar o uso consciente do meio-ambiente, se realmente não for apenas uma “estratégia verde”, como a que postei no link que vc apontou.
Aliás, tks pela citação!
Gde abraço!
Ricardo,
eu desejaria que o marketing fosse para para apresentar coisas que existem e não para invocar desejos não satisfeitos.
Esse é uma das armadilhas que, no meu achismo, considero ser importante saber diferenciar…
abraço
Oi Norberto:
Adorei o post, mas devo acrescentar que ainda não é possível, pelo menos no Brasil, produzir produtos ecologicamente corretos mais baratos. Digo isso com conhecimento de causa. Meu marido já teve uma indústria de reciclagem de lixo, que depois é aproveitado para fazer produtos ecológicos. O problema é que falta justamente a matéria prima já que no Brasil praticamente não existe uma educação voltada para a reciclagem. Se os brasileiros não reciclam seu lixo, se não separam por papel,plastico e metal, como conseguir a matéria prima? E quanto menos matéria, mais caro fica.
Compreendido?
Abraços,
Júlia,
mas é essa idéia que quero subverter.
Se a indústria se preocupasse em criar produtos ecológicos, não seria necessário existir nenhuma indústria de reciclagem.
Reciclar o lixo é apenas um paliativo, pois na equação energética, o resultado é no máximo um empate, e na realidade estamos perdendo mesmo com ela.
abraço